| Análise | Pesquisador nas áreas de Inovação e Tecnologias Emergentes, Marcelo Minutti analisa que novos processos tecnológicos de trabalho aumentaram produtividade mesmo na pandemia, mas explosão de burnout é desafio
A adoção de novas tecnologias de trabalho permitiram a potencialização da produtividade mesmo em meio à pandemia. Mas, agora, neste processo de retomada, é preciso encontrar um equilíbrio. Essa é a avaliação do pesquisador nas áreas de Inovação e Tecnologias Emergentes, Marcelo Minutti, que entende a explosão no número de afastamentos por Síndrome Burnout como um sinal que precisa ser observado com atenção.
Sobre a regulação, que apenas neste início de ano passou a compreender burnout como doença ocupacional, Marcelo aponta que toda regulação é sempre reativa. Primeiro o fenômeno acontece, pressiona quem implementa as leis, para depois haver adaptação. Então, essas dores todas de burnout, da dificuldade das empresas em terem processos equilibrados em manter no médio e longo prazo.
“Vimos que aumentar produtividade no curto prazo é bem possível. Mas só que com o estresse crescente sugando toda energia do trabalhador temos um ciclo curto de pico de produtividade. Então é preciso bolar modelos novos de gestão”, defende.
E nesse processo de desenvolvimento, ele destaca que será preciso desenvolver lideranças que foquem em gerar novos modelos de gestão. “O desafio do mercado hoje é ter líderes preparados para criar coisas que não existem”, disse Marcelo ao O POVO antes de palestrar no Congresso de Gestão de Pessoas – Ceará RH 2022, que ocorre até hoje, no Shopping RioMar Fortaleza.
O presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH Brasil), Paulo Sardinha, enfatiza que o foco da gestão de pessoas e recursos humanos é potencializar a saúde dos profissionais, sendo o principal desafio lidar com a saúde mental.
De acordo com levantamento da Closecare – plataforma digital voltada para a gestão de atestados médicos e da saúde corporativa – entre janeiro de 2020 e abril de 2022, apontando um crescimento de 30% no afastamento de profissionais do trabalho por transtornos mentais e comportamentais. O recorte analisado levou em consideração 480 mil atestados médicos de 16 companhias.
Paulo destaca que as funções dos profissionais de RH ganhou amplitude e está mais ligado ao pensar a saúde e educação como forma de obter maior produtividade e qualidade de vida no trabalho, com questões que vão além dos muros da empresa.
“Quando colocamos esses pontos em ordem, saúde, educação e trabalho, o passo seguinte é que essas pessoas vão se tornar líderes de organizações mais produtivas. E o conjunto de organizações produtivas apontam para um caminho de aumento de produtividade do País”, afirma.
Paulo entende que o Burnout é um desafio que já existia, mas que a pandemia ampliou devido às longas jornadas de trabalho e ao isolamento social, principalmente.
Acrescenta ainda que atualmente as empresas deixaram de ignorar a questão, mesmo que em alguns casos ainda não tenham o melhor preparo para lidar com a abordagem correta, já que não cabe diretamente ao líder empresarial fazer tal diagnóstico.
Cezar Almeida, head da Yevo, destaca que o profissional mudou sua visão de mundo e sua relação com o trabalho a partir da pandemia.
“Trouxe uma questão crucial de qualquer ser-humano, que é a própria vida. Quando se vê que a vida pode acabar de forma tão rápida, há uma reflexão sobre as escolhas. Por isso há uma reação das pessoas a ambientes que não são adequados ou compatíveis a um novo modelo de consciência de trabalho”, pontua.
