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21/10/2022 (OP) Novo perfil de líder inclui empatia e admissão de vulnerabilidades, dizem especialistas




|RELAÇÕES DE TRABALHO| Fenômenos relacionados às expectativas profissionais das novas gerações e aos novos formatos adotados pela pandemia exigem gestões mais humanizadas

Modelos flexíveis como o home office (ou trabalho remoto) e o anywhere office (trabalhar de qualquer lugar), grandes ondas de demissão voluntária e a chamada demissão silenciosa (quite quitting), em que os profissionais executam o mínimo necessário para cumprir as atividades solicitadas pelas empresas.

Todos esses movimentos que ganharam força durante o auge da pandemia e durante a retomada gradual das atividades econômicas resultaram também em uma necessidade rápida de adaptação das empresas. Um novo perfil de liderança, que já vinha se desenvolvendo com a adoção crescente das políticas de ESG (sigla inglesa para compromisso socioambiental e de governança) no ambiente corporativo, ganhou força.

Essa é a constatação de especialistas em recursos humanos, que participaram, nesta semana, do Congresso de Gestão de Pessoas Ceará RH 2022, em Fortaleza. Para o diretor executivo de RH da Anglo American, Hilário Andrade, “é importante para o líder aprender como lidar com tudo isso. A sensação que a maioria deles têm é de que estarão vulneráveis se demonstrarem empatia e deixarem as pessoas operar com autonomia. Contudo, esse é exatamente o segredo da nova liderança: dar liberdade aos colaboradores para retê-los”.

Ele acrescenta que, sem essa flexibilidade, as empresas tendem a perder novos talentos e oportunidades. “Nesse contexto, o profissional de RH tem um papel importantíssimo em treinar os líderes para que eles estejam confortáveis com o desconforto”, enfatiza. Além disso, destaca Andrade o próprio líder deve admitir suas vulnerabilidades e não temer que elas sejam percebidas por seus colaboradores.

“Já existem pesquisas apontando que os profissionais se tornam até 4% mais dedicados e 12% mais criativos quando reconhecem essa condição humana e vulnerabilidades em seus líderes. Isso é o oposto da visão antiga de poder”, afirma.

Além disso, Andrade acrescenta que sentimentos como o desejo de mudar ou de priorizar outros aspectos da vida também podem ser percebidos nesses novos líderes e canalizados para uma gestão mais eficiente de equipes.

“Uma dica que eu dou para esse novo líder é: procure estar em pequenos grupos com outros líderes, onde eles compartilhem suas dores. Você verá que é normal estar nessa e não tem nenhum problema nisso”, aconselha.

Já a presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), seccional Ceará, Janete Bezerra, lembra que o novo perfil de liderança exige a compreensão de que “as novas gerações não vão aceitar os mesmos modelos de gestão do passado”.

“Então, ele precisa realmente se adaptar a isso ou a empresa vai perder muito e vai perder talentos. Com isso, a própria liderança vai ficar insatisfeita. No fim das contas, esses novos colaboradores acabam ensinando os líderes”, pondera.

Por fim, a diretora da ESG Exame, Renata Faber, avalia que antes da pandemia ainda vigorava um modelo em que o colaborador sentia que precisava muito de determinado emprego, mas que isso mudou.

“Com a pandemia, ele passou a pensar: esse emprego não é tudo na minha vida. Então, esse fenômeno tem mostrado às empresas que elas têm de se adaptar para não perderem boas pessoas”, conclui.

Mudança

“Já existem pesquisas apontando que os profissionais se tornam até 4% mais dedicados e 12% mais criativos quando reconhecem essa condição humana”.

Hilário Andrade, diretor executivo de RH da Anglo American


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